MAYA é o acrônimo de “most advanced yet acceptable”. Se trata de onde um produto ou funcionalidade deve estar no espectro entre “inovação” e “familiaridade”. Raymond Loewy, seu criador, fazia uso da ideia consistentemente em seus designs.
O conceito pode ser traduzido dessa forma:
Antes da criação da interface gráfica, navegar por um sistema era uma tarefa assustadora porque estava no extremo esquerdo da linha que determina algo como tecnologia estranha. A experiência de navegação era através linhas de comando e além de contraintuitiva demandava um conhecimento profundo das operações de um computador.
Foi em 1960 ~ 1970, com o início das interfaces gráficas, que nasceu o modelo de navegação que nós conhecemos, e junto com ele o Hamburger menu. Sim, o ícone está aí desde que o próprio modelo de navegação existe.
À medida em que o público se acostuma com determinada tecnologia, a tendência é que ela se torne cada vez mais familiar, criando assim uma convenção de design. Por isso que tecnologias disruptivas tendem a criar padrões que vivem tanto, afinal de contas por muito tempo as pessoas só tem uma referência de comportamento para se ancorar.
As pessoas não precisam “aceitar” um ícone de menu hamburguer, não existe product market-fit para isso, porque ele é uma funcionalidade prática. Logo, quanto mais ela for familiar, melhor.
Dito isso, algumas perguntas que vão guiar minhas explorações:
1 - Quais iniciativas existem para torná-lo mais familiar ainda?
2 - O menu hamburger é a versão ótima para um sistema de navegação, ou existem outros caminhos para serem explorados? Ou seja, é possível criar um sistema de navegação que seja inovador mais ao mesmo tempo tenha as qualidades de uma funcionalidade prática 100% familiar?
Existem inúmeros formatos que preservam o uso do menu hamburger. Na minha opinião são opções estéticas sem muito valor para melhorar a função de navegar.
Por outro lado, o exemplo do site da Work&Co demostra como deixar o sistema de navegação ainda mais intuitivo, substituindo o ícone (que precisa ser interpretado) por “Menu”, que é a palavra que antecipa a ação de navegar. Além disso, prevê para o usuário o caminho que ele está seguindo antes dele de fato se comprometer a clicar na opção listada:
Mesmo assim, há um problema de usabilidade em ter o menu de um sistema do lado direito, no canto superior. É uma convenção de design, claro, todos fazem assim e é natural para pessoa achar o ícone ali. Ou seja, é familiar, embora não seja nada usável.
Aqui é importante pensar no que fez essa convenção de design nascer:
UX Design 101: A lei de Fitts é uma predição sobre o tempo que leva para apontarmos o cursor para um alvo dentro de uma interface. O movimento é separado por 1 - movimento balísticos, 2 - de correção e 3 - de posição estática. Os movimentos de correção são maioria e é onde ocorrem o maior número de erros, portanto, 1 - diminuir o movimento vertical e horizontal do ponto inicial até o alvo e 2 - aumentar o tamanho do alvo faz reduzir a quantidade de erros. É por isso que nas primeiras interfaces gráficas o menu hamburger ficava na posição superior direita. Porque o eixo X e Y são virtualmente infinitos nessa posição, já que o cursor é interrompido pela barreira da tela. Aqui o movimento de correção é quase inexistente.
Para interfaces desktop, na época, a posição do menu fazia todo sentido.
Essa convenção se tornou enraizada na criação de outras interfaces, sobretudo mobile onde a posição do menu torna extremamente difícil o alcance.
Depois de 2007, com a criação de lojas de aplicativos, se fez necessário atualizar essa tendência para inserção de fixed tabs, onde haveria então uma navegação principal, entre as áreas mais importante do aplicativo, e também a navegação através do topo do site. Acho um comportamento estranho, e que toda a navegação deveria se concentrar na parte inferior da tela.
Já existe inclusive um gesto no IOS que permite a pessoa que está usando um aplicativo aproximar seu dedão da área superior sem precisar usar a outra mão. É uma iniciativa interessante, mas criada para tratar um sintoma de uma experiência ruim:
Embora navegação por tabs seja um caminho bem interessante, o sistema não é amplamente adotado, principalmente para navegação web. Alguns caminhos interessantes que valem a pena explorar:
Opção onde temos o menu aberto, na parte inferior do dispositivo, à altura do dedão do usuário
Opção onde não temos uma barra fixa no site
Essas são apenas algumas explorações, que em tese conseguiriam aumentar a usabilidade em dispositivos mobile sem causar estranheza nos usuários.