Esse texto é altamente especulativo, e se a gente sabe alguma coisa sobre futurologia, é que quase nunca funciona. Dito isso:
Uma interface é algo que conecta o usuário com a experiência de usar alguma coisa, pode ser uma interface física ou não (como comandos de voz, por exemplo).
Em todo caso, o designer cria interações que fazem a interface ser acessível, fluída e fácil de usar. Isso faz com que a experiência seja boa, e experiências boas geram aumento de aquisição, engajamento e retenção de usuários. Em resumo, é assim que o designer de experiência do usuário entrega valor.
Mas e se a interface for 100% invisível? Ontem eu estava fazendo um exercício interessante: qual features, addons, ações a Neuralink poderia criar para seus usuários com implante neural?
Na lata: a pessoa entra no Youtube e clica, “ir exatamente para o ponto do vídeo que estou procurando”. Pera aí, ele não precisa clicar. Basta ele pensar, certo? Levando isso em consideração, já não precisaria ter botão nenhum.
Mas por que ele precisaria entrar no Youtube, em primeiro lugar? Ele poderia acessar o conhecimento do vídeo ou o vídeo em si, apenas pensando no que precisa. A informação, portanto, estaria no campo virtual das ideias e o conhecimento poderia ser absorvido quase automaticamente.
Como fica a projeção de interações, então? Não sei. Uma coisa que eu sei é: interações são ações que conectam 2 elementos. Sendo a ação um comando mental, a latência entre esses dois elementos é drasticamente reduzida. Vou dar um exemplo: imagine que, jogando um jogo de tiro, você percebe que um alvo apareceu na tela. Seu cérebro manda um sinal e sua mão move o mouse para mirar naquele alvo. Existe uma latência entre o sinal e o movimento, digamos de 2 segundos, se você for um jogador incrível. 1 segundo até mirar, atirar e acertar. Agora imagine que a latência seja praticamente automática. Você tem um Neuralink e não move o cursor com a mão, e sim com a sua capacidade mental.
Pensar em possíveis funcionalidades para um app da Neuralink me fez perceber que ter um app é obsoleto nesse futuro sci-fi / especulativo / mirabolante, daí eu entrei numa bad. Meu próximo passo foi pensar como adequar a função de "criar experiências" nesse mundo, daí fiquei um pouco mais relaxado, porque é divertido. A latência ainda vai existir. Você precisa pensar em algo para obter a reação. Então a ação também vai existir, mesmo que seja invisível, porque uma interação também pode ser cognitiva.
Algumas ideias: qual será o formato da informação no futuro? O outcome depende do input, então o designer de experiência vai ser responsável por criar modelos de controle de intenções? Ou temas como "precisão de pensamento" e coisas do gênero?
E por fim, outra coisa que pode me contradizer completamente: a informação não pode simplesmente ser absorvida, ela tem que ser interpretada, por isso a forma de consumir não vai mudar radicalmente, pelo menos enquanto nosso cérebro continuar do jeito que está. Dessa forma, nosso trampo tá seguro (uffa).